terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Quanto você vale?







Nem sempre seremos vistos por nossas qualidades e aptidões. Não é fácil ser reconhecido pelo que somos, aqui dentro. Nunca foi fácil para mim. Nem é para muita gente, eu sei...! Levar a vida defendendo o que se acha certo, é para poucos. E sou dessa minoria. Sou desse bloco, dos que se mostram sem ter vergonha, dos que se expressam com a alma leve porque defendem a bandeira da boa-fé, sem interesse nenhum a não ser o de fazer o bem. Às vezes, falho; no entanto, é, dos meus, baixar a cabeça quando for preciso. Assim como é o fato de, depois de uma dolorosa queda, saber limpar os joelhos feridos, secar o pranto e seguir em frente, ainda que a poeira, áspera e insistente, permaneça no caminho. 
Eu queria poder ser vista pelo valor interior que tenho, pelos meus esforços, meus empenhos em prol dos outros, minhas lutas gratuitas que travo, sem esperar nenhuma contrapartida. E queria, ainda, saber não sofrer quando os outros (que só enxergam a si mesmos) desmerecessem o meu valor. Mas entendi - depois de um último embate - que eu sou vista, sim... E de forma suficiente... Límpida... Por aqueles que, verdadeiramente, me respeitam e me reconhecem como eu sou.



"Your value doesn´t decrease based on someone´s inability to see your worth".



                         Mara Melinni 


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Incógnita







A ela, pouco bastava. Buscava reconhecer-se, ensaiar uns passos por si, esquecer a tristeza que há tanto tempo emprestava-lhe a mão. Não sabia, ao certo, o que queria. O mundo, de repente, parecia confuso demais... E a vida era comparada a um livro inacabado, no qual a personagem principal perdia-se de si mesma enquanto procurava ser feliz... Ela não era... Nunca era feliz. Fazia-se de forte, apesar das dores. Dizia que estava tudo bem, porém, não estava. Faltava um sentido. E o vazio de si pesava, corroía. Ela não aguentava mais... Não suportava mais receber o que lhe davam. Ela queria receber o que merecia... Precisava, assim, permitir o seu encontro com sua paz, com seu desejo, consigo. Tudo o que aquela moça precisava era deixar de ser uma incógnita... E escrever o resto da história... Da sua história.



                         Mara Melinni 

sábado, 10 de outubro de 2015

Educandário Santa Teresinha - 90 anos!






AMOR DIVINO
Poema dedicado ao Educandário Santa Teresinha,
pela passagem de seus 90 anos, em 08.10.2015


Sinto a vida, em reprise de saudade,
nos jardins mais bonitos da lembrança
e, correndo, num sonho sem idade,
eu voltei, novamente, a ser criança.

Bem cedinho, na fila, bate o sino...
E, na sala, guardo o material.
Todos juntos, cantando o mesmo hino,
num fervor de esperança e de ideal.

A cartilha fiel foi precursora
do saber e, em recordação feliz,
eu revejo, na mente, a professora
rabiscando o velho quadro de giz.

Nos meus olhos, molhados de alegria,
lembro a pura inocência dos momentos...
O sabor da merenda, dia a dia,
e seu cheiro a tomar meus pensamentos...!

A “casinha”- parada obrigatória...
lá havia banheiro e bebedouros.
Nossas idas ao parque... Quanta história
hoje brinca de achar tantos tesouros!

As fardinhas, em tons sempre serenos:
Rosa, verde... O azul e o amarelo!
E depois de não sermos tão pequenos,
vinha a calça e a camisa - um novo elo.

Eu recordo a cantina e as lancheiras;
os jardins coloridos pelas rosas;
A Santinha, olhando as brincadeiras...
E as irmãs vigiando, atenciosas.

No ABC, a leitura era o instrumento...
E treinando a fiel caligrafia,
aprendi a ler mais que o ensinamento,
e a escrever muito mais do que eu sabia.

No diploma, cada aluno assinava
com caneta, lento, o nome completo.
E, hoje, a tinta que nos sacramentava,
ganha tintas com vários tons de afeto!

Eu me lembro de irmos, a passeio,
conhecer o refúgio das irmãs;
E, no “sítio", era festa no recreio...
Um sucesso para as nossas manhãs.

Um som brando se ouvia já na entrada,
era Padre Zezinho que cantava...
E, na classe, antes de ouvir a chamada,
a oração, nosso dia abençoava!

Há um aroma que mora em minha mente
quando lembro os desenhos e as provas,
em papel perfumado e ainda quente,
com perfume de álcool, em cópias novas.

Da mochila, às vezes tão pesada,
eu também me recordo, sem maldade;
as bolsinhas de lápis, a tabuada,
as garrafas com gelo... Que saudade!

No caderno, o cabeçalho era escrito
com o nome da escola e, abaixo, a data...
Mas lembrar deste repetido rito,
é lembrar que ele sempre nos retrata.

Nós brincamos, com prazer desmedido,
de correr, pular corda e de queimada;
Futsal... Voleibol – meu preferido...
No espiribol, que partida animada!

Pelas fases da vida descobrimos
a buscar, por nós mesmos, nosso intento.
Muitas portas seguras nós abrimos
com as chaves do puro ensinamento.

Num pulsar de emoção forte e presente,
encontramos pedaços de lembrança...
Nos amigos, nas fotos, há, somente,
pedacinhos da mais feliz herança!

 Hoje, o mesmo tempo que nos separa,
é o tempo que parou por um instante...
A nossa história é a nossa joia rara,
laço eterno do amor que nos garante.

Sob o manto do nosso Educandário,
onde a Fé se fez a nossa guarida,
recebemos a Luz do Relicário
que mantemos acesa em nossa vida.

Nossa escola querida, nosso ninho...
Parabéns por 90 anos de idade...!
E.S.T.!!! - Repetimos com carinho,
em três letras de amor e de saudade!




Mara Melinni
Ex-aluna EST
Turma 1994







terça-feira, 4 de agosto de 2015

Se sentir vontade de chorar...







Não tema. Não prenda o choro... Não se faça de forte. Simplesmente, chore... Permita-se... Deixe a sua alma arrancar, lá de dentro, lá do fundo, o que lhe causa dor. Não evite uma lágrima, ao contrário. Valha-se delas, nunca as contenha, apenas sinta... Não as ampare, não as reprima. Deixe-as cair e carregar o seu pranto. E sua face, antes aflita e entristecida, depois de regada pela pureza de cada lágrima, sentirá - depois do choro - o alento daqueles que se refazem depois da tempestade. Porque chorar é permitir que a sua alma lave as suas dores... E, se elas não forem embora, apesar do estrago feito, ao menos já não pesarão tanto assim!...



                            Mara Melinni 


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