domingo, 26 de junho de 2011

Uma prece especial...


                


Tributo à Vida

Obrigado, ó meu Deus, por mais um dia
E por cada detalhe pequenino,
Pela aurora raiando qual cortina,
Pelo sol que traduz o olhar divino...
Pelo canto que escuto docemente
E adormece nos braços do poente,
Quando a lua é farol no meu destino...

Obrigado, Senhor, pelas estrelas,
Pelo brilho que explode no infinito,
Pelo vento que acalma a minha face
Como um beijo no sonho mais bonito,
É tão grande esse amor, que qualquer pranto,
Se converte no riso de outro canto,
E o meu verso é expressão do que é bendito.

Obrigado, Deus meu, por todo o encanto
Que reveste a canção de um passarinho,
Pelo choro primeiro de uma vida,
Pelo sino que toca bem cedinho...
Pelo toque envolvente da viola,
Pela voz maternal quando consola,
Pela chuva caindo de mansinho...

Obrigado, Meu Pai, pela família,
Pela linda manhã que me irradia,
Pelo cheiro das rosas coloridas,
Pela bênção de amar como magia,
Pelo abraço fraterno de um irmão,
Pelos campos mais verdes do Sertão,
Pela paz que eu pressinto todo dia!

Pela estrada da vida, eu Te agradeço,
Meu Senhor, pois retira cada espinho,
E em lugar do rancor e sofrimento,
Sempre sigo pelo melhor caminho...
Faço o bem, sinto a força do perdão,
Sou fiel, sinto a luz da redenção,
Porque nunca me deixará sozinho!

Mara Melinni       

Obs.: Poema de minha autoria. Termos utilizados no gênero masculino por questões de rima.

domingo, 19 de junho de 2011

Um dia só para mim...


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     Tantos dias se passaram...! Andei afastada dos meus amigos, dos meus livros, dos meus sentimentos. Não por escolha minha, isso não. Às vezes é preciso "focar" em certas coisas - mesmo sem saber se vale a pena o esforço - por causa de um trabalho, por exemplo. Mas com isso, um imenso vazio começou a ganhar espaço dentro de mim, restando lugar apenas àquela antiga melancolia, da qual eu achava que já havia me livrado para sempre.

     Prova de que, como já discorri em outro momento, a vida necessita de equilíbrio. E não seria diferente em se tratando do "nosso" tempo de viver, que exige cuidado, zelo. Eu escolhi me esconder (ou me mostrar) neste recanto, onde encontro paz e amigos com quem compartilho um pouco dos meus medos e um bocado dos meus sorrisos.

     Hoje resolvi cuidar do meu "eu". Reservei este dia ensolarado para abrir os meus armários (parafraseando aquela música do Los Hermanos que diz: "Abre os teus armários, eu estou a te esperar...") e permitir que as melhores energias do universo venham até mim...! É dia de um (re)encontro comigo mesma, de um resgate prazeroso com a beleza, de um voo em queda livre, nas asas dos meus sonhos, de um compromisso com as pequenas coisas que me fazem bem. Estar aqui é uma delas...

     Beijos, amigos queridos!!!    

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cheiro de chuva...





     Os raios de sol ultrapassavam, mansamente, os espaços de minha janela, enquanto eu ainda estava na cama. Um sono gostoso me envolvia como se eu sentisse uma pluma passeando pela minha nuca morna e um vento leve cantarolando em meu ouvido. Ali continuei, adormecida, imersa num cheiro calmante de chuva que anunciava as primeiras gotas de água caindo no telhado.

     Por alguns instantes, o barulho das goteiras parecia coadjuvante do meu sonho ameno, no qual eu encontrava a plenitude de um descanso gostoso,  escutando - de longe - o ruído dos pingos que lembravam pedrinhas lançadas ao fundo de um lago tranquilo. Meu corpo relaxado permanecia inerte, sob o abrigo do cobertor... 

     Assim, durante aquelas horas de chuva sem trovões e raios, o meu coração palpitava sereno, sem qualquer preocupação. Deitada como gosto - de bruços - o aconchego da cama aquecida me fazia flutuar na recordação do último abraço do meu amor, que parecia estar ao meu lado, embora estivesse distante - fisicamente.

     Mas a ausência não foi sentida naquela manhã chuvosa de outono... A chuva me trouxe, na paz de um sono manso, o cheiro daquele que não podia tocar - a não ser em sonho;  o som das pedrinhas que jogamos juntos no lago azul, quando prometemos retornar àquele lugar novamente; a forma única dos braços que me levam ao mais puro enlace de amor...!

     Na manhã, já ensolarada, acordei à procura das sensações trazidas pela chuva que, enfim, havia passado. E apesar de eu não ter me molhado, já estava com saudade daquele sonho que ganhou ares de um verdadeiro banho... de chuva...!




       Mara Melinni      

domingo, 5 de junho de 2011

No fim da estrada...




Meu espelho reclama, insatisfeito...
Eu não trago, na face, a mesma imagem
Nem o melhor encanto, já desfeito.
Da vida, guardo um pouco de coragem.

Do que foi e voltou, tal lindo mar,
Os antigos amigos são lembrança
Dos dias amarelos a brilhar,
De quando eu precisava de esperança...

Já não me lembro bem do que passou...
Mas sei que ainda não chegou o fim.
De outros rostos, recordo –  e quem eu sou?
Outras vezes, esqueço até de mim...!

Inda assim, eu me escondo da tristeza
Porque quando eu partir, minha verdade
Ficará nos momentos que vivemos,
Se sentir um pouquinho... de saudade!

Mara Melinni
05.06.2011





     Oi, amigos queridos! Aqui estou, de volta ao meu refúgio... Tive dias bem atribulados, mas nada que me impedisse de enxergar traços de poesia no que vivi. Nesta postagem, falo da velhice, da idade avançada, do semblante rosado e sereno de todos aqueles que acumulam as marcas da experiência de vida. E não escolhi falar disso por acaso...

     No trabalho, atendi um senhor bem decadente, que me deixou com o coração partido! Ele era viúvo e havia encontrado uma boa mulher, mais jovem, que o amava muito. Mas ela havia falecido, em razão de uma doença repentina que a levou em dois dias. Enquanto eu digitava, já com um nó na garganta, tentando apenas ouvi-lo... Tive que encará-lo nos olhos... E aquele rosto sofrido acumulava lágrimas que caíam devagar, enquanto eu... chorei junto, tentando disfarçar. Deus o conduza, em seus passinhos lentos, para um bom lugar, e o ampare na vida que ainda lhe resta.

     O segundo fato... foi com minha avó. Há algumas semanas não a via, mas tinha notícias quase diariamente. Essa semana fui até lá, pedi a sua bênção e... ela respondeu. Mas parecia que não sabia mais quem eu era [...]. Então eu me aproximei de sua cadeira, quase de joelhos... Ela afagou o meu rosto - com tanto carinho! - e disse, com a voz mais mansa do mundo: "- Conheço o seu rosto, mas não me lembro do seu nome..." Eu falei, ela sorriu. Certamente, sabia que eu era sua neta.

      E hoje, enquanto já rascunhava esta postagem, recebi uma triste notícia. Um amigo nosso, repentista, poeta e trovador, tirou a própria vida no ápice da idade... Em janeiro, estivemos juntos no Clube dos Trovadores do Seridó (foto na página "Poetizando") e na semana passada, soubemos que ele vivia momentos de depressão... Chico Mota, que o senhor esteja em bom lugar!


"Acredito no tempo. O tempo é nosso amigo, nosso aliado, 
não o inimigo que traz as rugas e a morte. 
O tempo é que mostra o que realmente valeu a pena [...]."
~ Caio Fernando Abreu ~

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