sábado, 27 de agosto de 2011

Sobre a mocidade...





    Gosto de me perder nos versos sem temer o que o tempo me reserva. Entendo que a vida é como um castelo de areia que construímos em cada fase. Mas um dia, quando ele já tiver todos os detalhes necessários e ostentar a beleza esculpida por seu dono, a mão do vento entrará em ação... E embora o castelinho de areia precise de novos reparos - porque a vida nos devolve quase à condição primeira - o importante é que nunca faltará amor em sua história... E que o sonho existirá até o fim...!


Sonho de Verão


                                        No meu sonho, eu mergulho na vontade
                                        De voar pelo azul mais cintilante
                                        E no céu, ser da vida viajante,
                                        Sob os versos fiéis da mocidade...

                                        Vou feliz, sem temer a tempestade,
                                        À procura do sol sempre radiante,
                                        E se a estrada que eu busco for distante,
                                        Eu desfaço qualquer dificuldade.

                                        Por viver tanto a minha liberdade,
                                        Cada gota de amor será bastante,
                                        Se enfeitar – sem tristeza – o meu caminho...

                                        Mas eu sei... Se eu parar, qualquer instante,
                                        Sentirei, na ilusão de estar sozinho,
                                        Que ninguém é feliz sem ter... saudade!



 Mara Melinni



domingo, 21 de agosto de 2011

Remexendo o baú de versos...



     ... Eu encontrei mais um poema escrito há um bom tempo (nossa, quanto tempo!). Engraçado que quando (re) leio o que escrevo, percebo o quanto a mão dos anos foi lapidando o meu jeito de escrever. Reparto, com vocês, um pouquinho dos meus primeiros rabiscos. Uma ótima semana, espero que me contem boas surpresas! Beijos


Ir além

Quando alguém passa por você
E, mesmo de longe,
Desperta um suspiro
Que num choro se funde...
Desperta a procura
Que os seus olhos inquieta...
Desperta a magia
Que no riso transborda...
Desperta o arrepio
Que o corpo todo aquece...
Desperta o descanso
Que o cansaço supera...

Desperta na alma
O adeus de uma espera,
Por ter encontrado
A eterna primavera.


 Mara Melinni





sábado, 13 de agosto de 2011

Do amor incondicional





Pai

Eu não sou mais a menina de outrora,
Que brincava e dormia nos teus braços,
Mas o tempo não vai levar embora
A lembrança doce daqueles laços.

Nas palavras eu tento te expressar
As mais belas lições que me ensinou
Nestes versos, sem jeito, a te ofertar
Eu te entrego um pouquinho do que sou.

É tão grande a minha admiração
Pelo exemplo que sempre soube ser
Escrevendo, até sinto a sensação
De uma alma de poeta a me envolver.

Hoje sinto a paz que me contagia
Com a presença de tua luz sem fim...
Obrigada, meu Deus, pela alegria
De ter sempre o meu pai perto de mim!


FELIZ DIA DOS PAIS!!!

 Mara Melinni


*Poema de minha autoria escrito em 08/08/2004. Foto: arquivo pessoal.



sábado, 6 de agosto de 2011

Uma rede e algo mais...




     Ah...! Hoje levantei com vontade de me debruçar no fundo de uma rede, sem compromisso, sem tempo contado, sem qualquer possibilidade de ser interrompida no meu encontro...! Ali, meu corpo alcançou um repouso manso e, no prazer daquele balanço gostoso, senti a vida em profunda calmaria... Deu até a sensação de ter ganhado uma porção de tempo extra, enquanto me esqueci de tudo ao meu redor.
      O espaço, apesar de pequeno, permitia vaga... Mas só havia uma pessoa capaz de preenchê-la. Na sua ausência, alguns versos de amor me embalavam, lentamente, ao folhear um livro, ao tempo em que o meu pé pequeno (que você tanto adora!) tocava o chão, buscando, vez ou outra, o impulso astucioso que me mantinha inerte e me desligava completamente das tristezas e sofrimentos inúteis... E os meus olhos, pesando devagar, pareciam entrar em  transe, sem nenhuma queixa... porque senti o vento beijando-os por você.
     Começou, então, uma viagem tão linda... E embora eu dormisse sozinha naquela rede ampla, nela senti o encaixe do teu corpo próximo ao meu, como se cochilássemos depois de um momento sereno de amor. Havia, na minha rede, uma completude única, trazida pela mesma sensação que tenho quando estamos juntos de verdade...
     Ao despertar, aquele mesmo vento que me beijou os olhos, continuava soprando... Mas  ele agora trazia cheiro e tato, na concretude indiscutível de quem buscava arrego. E eu, que queria colo... Fui mais feliz no meu encontro... Porque acordei nos braços daquele que veio buscar a vaga na minha rede...! 



Mara Melinni


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Alguns pensamentos...




Inquietude

                                 Não me interessam as pequenas sensações
                                 Nem olhares opacos, nem as noites frias...
                                 Não vejo encantamento em quaisquer emoções
                                 Se já não sinto a vida em luzes e euforias...

                                 Procuro a letra altiva de um poema mudo
                                 E a cor desconhecida em pétala de flor...
                                 Busco o desconhecido, sem arma e escudo,
                                 E a nota mais bonita da canção de amor...

                                 Quero a verdade amiga em tudo o que eu viver,
                                 O sol mais radiante e uma estrela só minha
                                 Para traçar, no espaço, um pouco do meu ser
                                 E me perder no tempo, sem ser tão sozinha.

                                 Preciso de um afago puro e verdadeiro,
                                 Que alcance as curvas tortas do meu coração...
                                 De braços que me queiram muito,  por inteiro.
                                 E de um amor que tire os meus pés deste chão...!

                                 Porque se falta um riso no meu rosto sério,
                                 E se não vejo mais a nitidez da estrada,
                                 É tempo de mudar... de quebrar o mistério...
                                 De ver meus próprios passos traçando a jornada.

                                 E na poeira eu sigo, sem lágrima ou medo,
                                 Mantendo o sonho vivo, pois somente assim
                                 Se ao meu redor a vida terminar mais cedo,
                                 Ao menos vivo eterna aqui... dentro de mim...!


Mara Melinni
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