terça-feira, 25 de outubro de 2011

... Entre os canteiros...




     E, no meio de tanta tristeza, sempre haverá um sinal de alegria. E, por menor que seja, estará lá, brilhando como uma estrela pequena, perdida na  imensidão de uma noite escura. E aquele minúsculo indício de luz aquecerá por inteiro o nosso coração... Até que logo, logo, uma outra manhã chegará cheia de cor. E, com ela, o sol alcançará todos os labirintos de nossa alma. E o que te preocupa, vai passar...


CANTEIROS

Fagner, baseado no poema "Marcha" de Cecília Meirelles.
Músicas incidentais: Na hora do almoço (Belchior), Águas de Março (Antonio C. Jobim). 

Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Pode ser até manhã
Cedo, claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
 

E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
Deixemos de coisa, cuidemos da vida
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um toco sozinho ...
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.






 Mara Melinni

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Da Janela



     E hoje, após algum tempo, eu senti de novo o meu  peito respirando aliviado, livre da angústia que insistia em permanecer aqui. Às vezes, não por mal, há momentos em que as pessoas que mais nos cercam são as mesmas que nos deixam sentir o abraço da solidão... Sem perceberem, ferem com palavras que são ditas sem qualquer medida. Ou pior, sabem que não estamos bem e, ao invés de nos darem a mão, colocam outro espinho onde já doía tanto. Há muita coisa que ainda não entendo na convivência humana (nem pretendo entender) e o meu jeito simples de querer enxergar tudo acaba me impondo uma condição de sofrimento (des)necessário. Pois bem, mas passou. Ainda bem que abri a janela do meu coração e... recebi no rosto o alento que buscava.




                                          Janela do meu encanto,
                                          de alcance manso e profundo...
                                          À noite, levas meu pranto;
                                          de manhã, trazes meu mundo!


 Mara Melinni




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