Às vezes, nós nos entendemos bem, eu e a solidão. Gosto de ficar sozinha, de ter o tempo só pra mim, de usá-lo inteiramente a meu favor. Todo mundo precisa do seu próprio intervalo consigo mesmo...! Mas há instantes outros em que a solidão maltrata. E parece que sobra tempo... Assim, de súbito, ela vai tomando conta de tudo e se hospedando devagarzinho nas nossas vidas. Essa é a parte dolorosa da solidão: Quando a gente quer se livrar dela e não tem como. Ela nos torna vulneráveis e faz com que nada sirva de consolo... A não ser, alguém.
Hoje eu queria me livrar do abraço apertado da solidão. Gostaria de me sentir acarinhada por outros braços. Queria dividir os meus minutos ao lado desse alguém. Ter uma companhia que falasse sobre como está sendo sua semana. Viver um contexto diferente. Sair da mesmice da solidão. Colorir as paredes do meu coração ansioso e espantar o cinza da ausência que me toma. Hoje eu gostaria de esquecer o vazio e as horas sem dono. De fazer uma chuva de novos momentos. Adoraria sair por aí preenchendo cada minuto da minha noite. Daria tudo para desprogramar o silêncio prolongado dos meus dias e, quem sabe, preenchê-lo com o som compartilhado de risadas à toa.
Também queria perder o medo da solidão. Confesso que, apesar de nos darmos bem, estou preferindo uma companhia verdadeira, de carne, osso, cheiro, tato. Solidão não dá afeto nem beijo de boa noite. Ela sobrevive em um território neutro e tudo o que preciso agora é de versos, sem solidão... De um passeio, sem solidão... De um céu bem estrelado, sem solidão... De um abraço quente, sem solidão... De um texto novo, sem solidão.
Quer saber...? Chega de solidão!
Mara Melinni