domingo, 16 de junho de 2013

É com saudade...






Que escrevo agora.
Saudade de estar aqui,
de ser, de sentir.
Fecho os meus olhos,
respiro fundo,
lentamente,
ouço o silêncio.
E sinto paz...!
Quanta saudade
de tantas coisas...!
Uma saudade de tudo o que vivi
e que, vez ou outra,
chega como reprise.
Saudade de ver estrelas,
de olhá-las bem de perto
e me perder no meio delas.
Saudade de tomar banho de rio,
de brincar na correnteza,
em dia de sol ou de frio.
Saudade de não ver passar a hora,
e de sorrir, com os amigos,
jogando conversa fora.
Saudade de riscar nomes
com pedacinhos de giz...
Saudade de ser apenas
um pouquinho mais feliz.



                       Mara Melinni



terça-feira, 30 de abril de 2013

(Par) ticular






Tem uma coisa que eu não sei explicar, mas que me rouba a paz. Eu não vou fugir, prometo. Nada de me esconder outra vez. Pra começar, quem nunca sentiu ser o mundo de alguém?... O território do coração, embora de difícil acesso, um dia se rende. E o deserto troca de veste... E se enche de flor. Assim é a vida, feita do encontro de mundos que se completam. Desse jeito é o amor. Chega sem aviso, sem cautela. Dita o caminho, não precisa de mapas. É instintivo, vem sem descanso, cria raiz. Sentir-se mundo, ser do mundo, ter um mundo... O amor não se cansa. Ele existe da translação dos dois. O amor não é ímpar. Do mesmo modo, o amor não oferece garantia. Não... A condição de sua existência é a liberdade, o respeito, o bem-querer irrestrito. Quem prende, é algema. Quem sufoca, é fumaça. Quem machuca, é doença. Nada disso se chama amor. Se é isso que resta de uma história, no fim das contas, sinto dizer... Mas está tudo errado! É claro que está... A gente não quer ver, mas está na cara! Dói pra caramba, parece castigo ou estado febril. E pensar que tinha tudo para durar para sempre...! Quando acaba, parece o efeito de uma boma atômica dentro do peito. Tudo é vastidão, tudo chora. E sobre deixar de ser mundo, isso é só um detalhe. Sim, é! Sempre serei o meu mundo particular, com universo estrelado e mar azul, e eu não vou forçar a barra pra ninguém permanecer aqui. Afinal, se fosse realmente amor, eu nem precisaria fazer isso!



                     Mara Melinni



quinta-feira, 14 de março de 2013

À Poesia






                               Não quero ver a vida por outros olhos.
                               Bastam-me os que me foram dados, docemente.
                               Através deles, eu me torno maior.
                               Por meio destas lentes, o mundo me convém.
                               Seu alcance infindo é minha subsistência.
                              Olhos que me revelam além do que vejo,
                              e que me preenchem, sem ressaca.
                              Diante dos meus olhos, eu  me vejo melhor.
                              São eles o meu repouso absoluto...
                              Olhos que me enchem de poesia.
                              Assim, estes olhos meus tornam-se alma.
                              E mesmo fechados, eles me permitem ver
                               in-fi-ni-ta-men-te.


                        Mara Melinni



Pelo Dia Nacional da Poesia




terça-feira, 12 de março de 2013

Discutindo a re(ação) !







  Às vezes, nós nos entendemos bem, eu e a solidão. Gosto de ficar sozinha, de ter o tempo só pra mim, de usá-lo inteiramente a meu favor. Todo mundo precisa do seu próprio intervalo consigo mesmo...! Mas há instantes outros em que a solidão maltrata. E parece que sobra tempo... Assim, de súbito, ela vai tomando conta de tudo e se hospedando devagarzinho nas nossas vidas. Essa é a parte dolorosa da solidão: Quando a gente quer se livrar dela e não tem como. Ela nos torna vulneráveis e faz com que nada sirva de consolo... A não ser, alguém. 

  Hoje eu queria me livrar do abraço apertado da solidão. Gostaria de me sentir acarinhada por outros braços. Queria dividir os meus minutos ao lado desse alguém. Ter uma companhia que falasse sobre como está sendo sua semana. Viver um contexto diferente. Sair da mesmice da solidão. Colorir as paredes do meu coração ansioso e espantar o cinza da ausência que me toma. Hoje eu gostaria de esquecer o vazio e as horas sem dono. De fazer uma chuva de novos momentos. Adoraria sair por aí preenchendo cada minuto da minha noite. Daria tudo para desprogramar o silêncio prolongado dos meus dias e, quem sabe, preenchê-lo com o som compartilhado de risadas à toa.

  Também queria perder o medo da solidão. Confesso que, apesar de nos darmos bem, estou preferindo uma companhia verdadeira, de carne, osso, cheiro, tato. Solidão não dá afeto nem beijo de boa noite. Ela sobrevive em um território neutro e tudo o que preciso agora é de versos, sem solidão... De um passeio, sem solidão... De um céu bem estrelado, sem solidão... De um abraço quente, sem solidão... De um texto novo, sem solidão. 

  Quer saber...? Chega de solidão!



                    Mara Melinni



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