terça-feira, 30 de abril de 2013

(Par) ticular






Tem uma coisa que eu não sei explicar, mas que me rouba a paz. Eu não vou fugir, prometo. Nada de me esconder outra vez. Pra começar, quem nunca sentiu ser o mundo de alguém?... O território do coração, embora de difícil acesso, um dia se rende. E o deserto troca de veste... E se enche de flor. Assim é a vida, feita do encontro de mundos que se completam. Desse jeito é o amor. Chega sem aviso, sem cautela. Dita o caminho, não precisa de mapas. É instintivo, vem sem descanso, cria raiz. Sentir-se mundo, ser do mundo, ter um mundo... O amor não se cansa. Ele existe da translação dos dois. O amor não é ímpar. Do mesmo modo, o amor não oferece garantia. Não... A condição de sua existência é a liberdade, o respeito, o bem-querer irrestrito. Quem prende, é algema. Quem sufoca, é fumaça. Quem machuca, é doença. Nada disso se chama amor. Se é isso que resta de uma história, no fim das contas, sinto dizer... Mas está tudo errado! É claro que está... A gente não quer ver, mas está na cara! Dói pra caramba, parece castigo ou estado febril. E pensar que tinha tudo para durar para sempre...! Quando acaba, parece o efeito de uma boma atômica dentro do peito. Tudo é vastidão, tudo chora. E sobre deixar de ser mundo, isso é só um detalhe. Sim, é! Sempre serei o meu mundo particular, com universo estrelado e mar azul, e eu não vou forçar a barra pra ninguém permanecer aqui. Afinal, se fosse realmente amor, eu nem precisaria fazer isso!



                     Mara Melinni



5 comentários:

  1. Amei, por mais que o fim nos arrebate em lágrimas e pedaços...quando o tmpo nos restabelece, nos tornamos mais imabtíveis qnt as rochas...suportandos todas as tempestades! bjs flor

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  2. Dói muito saber da possibilidade de ter dado certo. Acho bonito atitude de quem não obriga permanecer. Não obriga a pessoa ficar, mesmo sendo essa vontade mais íntima. O território do coração só deve ficar quem faz bem e realmente quer ficar. Lindo texto. Beijos.

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  3. Mara, um dia eu li uma frase que se parece muito com esse teu texto, principalmente o final. A frase é essa aqui: "Quando há medo de ir embora, é porque vale a pena ficar. Quando não temos medo da despedida, é por que já fomos embora faz tempo." (Desconheço o autor)

    Se não tem mais como permanecer, não é por insistência que a outra pessoa ou mesmo você deve ficar. Doi muito, no começo parece que não vamos suportar, mas depois que o tempo passa, você vai ver como tudo volta ao normal. Principalmente a fé de acreditar em um novo amor.

    Beijos linda. :*

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  4. Concordo PLENAMENTE! As pessoas são LIVRES!
    Me lembrei de uma frase de Rubem Alves: 'Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo, sabe que a qualquer momento ele pode voar.'

    Muito bom seu texto!
    Beijos

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  5. Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
    reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
    Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
    decerto que virei aqui mais vezes.
    Sou António Batalha.
    Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
    PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
    siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

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Toda pessoa é sempre as marcas de outras tantas pessoas. E é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá. É tão bonito quando a gente sente que nunca está sozinho por mais que pense que está.
Gonzaguinha

Beijos e volte sempre!

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