Reflexos
Há, na face cansada, que eu revelo
E na triste expressão de cada linha,
A lembrança de um rosto puro e belo,
Sem as rugas, que o tempo me detinha.
Quantos sonhos firmei, na mocidade,
Sem temer que o futuro chegaria...
Eu sorria da tal felicidade
Na incerteza pagã de mais um dia.
Mas depois, a saudade nos espera...
E a ilusão de ter sempre outro amanhã
Noutra chance, uma nova primavera,
Perde a vez, no rigor da culpa vã...
E no espelho, o semblante, sem um riso,
Conta a vida nas marcas que há no rosto
Sem esforço (porque não é preciso),
No reflexo doído do desgosto.
Mas, bem sei... Nessa imagem que hoje eu fito
Vivo, sim, sob olhar bem diferente...
É que o tempo não passa e é mais bonito
No segredo de olhar... Dentro da gente...!
Mara Melinni
*Poema premiado com Menção Honrosa na Jornada Cultural
do Sindicato dos Bancários do RN/2011.




