domingo, 27 de novembro de 2011

Beleza interior

 
             
                        Reflexos


       Há, na face cansada, que eu revelo    
       E na triste expressão de cada linha,
       A lembrança de um rosto puro e belo,
       Sem as rugas, que o tempo me detinha.

        Quantos sonhos firmei, na mocidade,
        Sem temer que o futuro chegaria...
        Eu sorria da tal felicidade
        Na incerteza pagã de mais um dia.

        Mas depois, a saudade nos espera...
        E a ilusão de ter sempre outro amanhã
        Noutra chance, uma nova primavera,
        Perde a vez, no rigor da culpa vã...

        E no espelho, o semblante, sem um riso,
        Conta a vida nas marcas que há no rosto
        Sem esforço (porque não é preciso),
        No reflexo doído do desgosto.

        Mas, bem sei... Nessa imagem que hoje eu fito
        Vivo, sim, sob olhar bem diferente...
        É que o tempo não passa e é mais bonito
        No segredo de olhar... Dentro da gente...! 
        
            Mara Melinni
  
 *Poema premiado com Menção Honrosa na Jornada Cultural
           do Sindicato dos Bancários do RN/2011.
 


domingo, 20 de novembro de 2011

Felicidade, sim!



     É... de uns dias para cá, perdida em meus pensamentos, resolvi me encarar de frente, em um embate ferrenho comigo mesma (mais um!). Meu estado de espírito, de humor, de graça, enfim... Eu mudo facilmente de uma hora para outra. De repente, passei a me perguntar por que motivo isso acontece (por favor, não tentem intervir nesse processo, rs). Nesses momentos, vem sempre um verso na minha cabeça que diz "Tristeza não tem fim; felicidade, sim!"

     Resolvi investigar o que ocorre. E nesse encontro cara a cara, eu percebi que tudo faz parte de uma questão de saber olhar para o que está ao meu lado, pois tudo o que acontece é breve, mas dura o suficiente para ganhar a importância certa aqui, dentro de mim. Pode durar apenas uma fração de segundos... como um olhar.

     Não é que eu procure uma felicidade inacabável. Creio que nem faz sentido falar de felicidade desse modo. O certo é que ela está presente em doses diárias, de um jeito que a gente talvez nem perceba, mas está. E embora a tal tristeza tente se sobressair, qualquer que seja o motivo, sei que existe felicidade o bastante para eu gostar da vida do jeito que ela é. Porque não existe receita para ser feliz!

"Tudo é questão de despertar sua alma."
(Gabriel García Marquez)  

Mara Melinni

domingo, 13 de novembro de 2011

Quero o amor... "Sem montanhas-russas"!





    
     Andei errando as contas com amor. Era assim que eu pensava até pouco tempo... Talvez porque esse modo de enxergar as coisas me consolava para as situações que não davam certo na minha vida. E assim eu acreditava que da próxima vez daria, afinal haveria uma nova chance para "acertar". Mas agora, deixa eu me corrigir..

     É que no amor não existe essa história de fazer cálculo. E eu aprendi isso, a duras penas e após longos embates comigo mesma. "Eu sei que já falei muito sobre amor... Acho que é o grande tema da vida da gente. Mas o amor não é só poesia e refrão... Amor é reconstrução, é ritmo, pausas, desafinos e muitos desafios", como diz a Fernanda Mello no seu texto Amar é Punk.

     No texto da escritora, encontrei essa passagem que se encaixa em tudo o que eu aprendi sobre o amor:

     "Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. EU QUERO ALGUÉM QUE DIVIDA O CHÃO COMIGO. QUERO ALGUÉM QUE ME TRAGA FÔLEGO. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto. Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas."



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Eu me rendo...!




     Está bem, pessoal... Eu não vou mais insistir nessa mania de desaparecer sem deixar recado e de passar uns tempos afastada de tudo e de todos... É que as minhas coisas são assim, não consigo prometer que, de repente, não vou dar uma escapadinha pro meu mundinho particular. Só posso dizer que foi preciso...

     Não pensem vocês que não senti falta dos amigos, da vida normal de qualquer ser humano, de sair para jogar vôlei e até ensaiar uns mergulhos nas aulas novas de hidroginástica (tá bommm, eu vou comprar meu maiô logo!), de rir bem muito tomando um vinho importado daqueles chiques que Wagner me ensina a selecionar... 

     Ahh, eu sinto falta, sim! Acontece que eu sempre fui assim meio diferente, então os meus desaparecimentos, quem sabe, nunca acabem. Faz parte do meu signo (libra) guardar algum mistério.. Posso garantir que dessa vez eu volto uma Mara mais madura, não sei se uma pessoa melhor, mas alguém que olha para a vida com um jeito novo: eu diria infinito (Daniel, eu sei que você vai me corrigir dizendo que não é "infinitamente", é "intensamente"! Risos).

     Enfim, dedico o meu retorno àqueles que estiveram ao meu lado, ainda que à distância, mas que entenderam que eu precisava de um tempo só meu; a Neila, uma AMIGA inigualável ("Tô com vontade de uma coisa que eu não sei o que é"); àqueles que me mandaram energias boas aqui no blog; àqueles que não me esqueceram e me mandaram torpedos carinhosos no celular (todos!);  aos amigos de versos; até a Marx, pela ideia de lançar no facebook uma campanha "Volta, Mara, pra perto da gente!" (Muitos risos)...

Obrigada... 
de todo o coração, 
de alma inteira, 
de peito aberto, 
de sorriso rasgado...

Tô de volta...!

Um beijo em cada um...! 


"Tenho que ter paciência para não me perder dentro de mim: 
vivo me perdendo de vista. 
Preciso de paciência porque sou vários caminhos, 
inclusive o fatal beco-sem-saída." 
(Clarice Lispector)

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