quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Incógnita







A ela, pouco bastava. Buscava reconhecer-se, ensaiar uns passos por si, esquecer a tristeza que há tanto tempo emprestava-lhe a mão. Não sabia, ao certo, o que queria. O mundo, de repente, parecia confuso demais... E a vida era comparada a um livro inacabado, no qual a personagem principal perdia-se de si mesma enquanto procurava ser feliz... Ela não era... Nunca era feliz. Fazia-se de forte, apesar das dores. Dizia que estava tudo bem, porém, não estava. Faltava um sentido. E o vazio de si pesava, corroía. Ela não aguentava mais... Não suportava mais receber o que lhe davam. Ela queria receber o que merecia... Precisava, assim, permitir o seu encontro com sua paz, com seu desejo, consigo. Tudo o que aquela moça precisava era deixar de ser uma incógnita... E escrever o resto da história... Da sua história.



                         Mara Melinni 

5 comentários:

  1. Tive duas impressões muito fortes. Primeira, a de que nos foi dado a ler um parágrafo de um romance. Pelo início do parágrafo, esse trecho deveria estar na sexta ou sétima página. Pelo meio do parágrafo, trata-se do romance biográfico de uma personagem feminina complexa, nova, com condições definidas, outras não, de sentimentos paradoxais, forte para os outros e fraca para si, inteligente mas frágil, que tem o reconhecimento de pessoas importantes em sua vida, mas está em busca - mais que do reconhecimento de todos – do reconhecimento de alguém que lhe fosse sentimentalmente significativo. Pelas frases finais do parágrafo, tudo que ela mais queria era um arrebatamento, uma guinada tão forte em sua vida, que a deixasse inicialmente tonta! Isso sugere que o romance em algum ponto vai falar de viagem, de desconhecido, de emoções muito fortes...
    Segunda impressão: essa moça aparece em alguns textos seus, aqui nesse blogue de magia. Particularmente, eu até já a chamo por um nome fictício. O perfil dela já me é bem familiar.
    É um romance e tanto de uma moça e tanto!
    Tu tens um poder criativo impressionante! Um poder de síntese encantador! São dedos poderosos...
    Beijossssssssssssss

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    1. Lucas, meu obrigada sempre por me ler e, através do que escrevo, encontrar pistas que existem por detrás das palavras. Obrigada, precioso amigo, por ler além do meu texto...!
      Um abraço com carinho.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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Toda pessoa é sempre as marcas de outras tantas pessoas. E é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá. É tão bonito quando a gente sente que nunca está sozinho por mais que pense que está.
Gonzaguinha

Beijos e volte sempre!

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