Eu gostaria de viver em um país
sem discriminação, onde todos tivessem as mesmas oportunidades. Não
precisaríamos pagar caro por um educação de qualidade, nem viver sujeitos à
criação de cotas para ‘X” ou “Y”. Se o acesso à educação fosse o mesmo para
todos, a nossa sociedade seria mais humana e mais feliz.
Tudo começa na educação. É dela
que extraímos os valores que formam o nosso caráter; é por meio dela que somos
moldados. O saber agrega juízo crítico e possibilidade de mudança. Na realização,
tornamo-nos pessoas com potencialidades infinitas. Ao invés de dar, ensine a
fazer.
A educação promove a revolução.
Digo isso de um modo geral, pois a educação alcança a tudo e a todos. E a falta
dela, também. As injustiças sociais, a desigualdade de renda, a ausência de um
Estado que perde sua função social diante da carência de um sistema de saúde,
segurança, moradia, de promoção das condições mínimas ao seu povo...
Não me mostrem dados, não quero
saber de estatísticas. Eu quero deixar de ver gente passando fome, vivendo em
lugares sem saneamento básico, sujeita à violência e ao mando e desmando do
tráfico de drogas, sem emprego, sem horizonte, sem um sonho sequer para sonhar.
Quero ver gente que construa
estradas, que ouse dar seus próprios passos. E não que dependa de bolsa disso,
bolsa daquilo. Um auxílio a quem dele necessite é justo e deve ser concedido
sem burocracia. Contudo, criar “bolsas” para tudo é, no mínimo, acomodar
pessoas que poderiam ganhar, ao contrário, oportunidades de crescimento e de
autodesenvolvimento.
Não estou aqui para discutir o
rumo político do país, mas não há como fugir dos exemplos que vêm à mente em um
juízo raso de valor. E onde fica a educação? Ela é a base para a formação de
qualquer ser humano... Cidadão, criança, homem, mulher, trabalhador.
Se há disparidades inaceitáveis
no Brasil, uma delas surge da comparação entre o salário dos políticos e
daquele que ganha a maior parte da população brasileira. Se a função política
fosse imbuída pelo sentimento de voluntariedade, talvez houvesse quem realmente
fosse capaz de promover mudanças.
É muito triste abrir as portas
do nosso país para o espetáculo da Copa do Mundo, fechando os olhos a tudo
isso. Que “o show tem de continuar”, é fato. Mas hoje eu comparo a nossa
realidade à política do Pão e Circo de outros tempos. Daqui a alguns dias, a Copa do Mundo vai
terminar. E voltaremos aos mesmos problemas, às mesmas faltas, ao mesmo estágio
sem solução.
Afinal de contas, o Brasil da
Copa do Mundo é diferente do Brasil sem Copa.
Mara Melinni