domingo, 22 de janeiro de 2012

Alguém como Você





     Algum tempo já passou... Quase um ano, na verdade. Mas, embora ela tivesse insistido em preencher sua vida com as mais diversas ocupações, não conseguia se esconder do sentimento que permanecia em estado de ebulição dentro do seu corpo. Mergulhou no trabalho, retomou a academia, curso de inglês, saía todo fim de semana com os amigos, viajava. Usou todas as armas de que dispunha. E as lembranças, embora desaparecessem por alguns dias, logo retornavam como uma chuva inesperada... Às vezes, forte e duradoura. Afinal de contas, fizeram planos. Criaram, durante aqueles cinco anos juntos, uma certa resistência a passarem, um dia que fosse, separados. Era tudo tão bonito, havia harmonia na convivência e uma admiração recíproca. As brigas não ultrapassavam a marca de algumas horas. Parecia o diagnóstico perfeito do que, provavelmente, seria uma história de amor perfeita. Parecia... Entretanto, quando se fala em amor - que é, por si só, algo absoluto - é preciso saber usar uma boa medida de relatividade. E, infelizmente, a partir do momento em que isso não existe, o castelo começa a ruir. Em poucos dias, tudo terminou. Separaram-se, a previsão foi quebrada. Cada um para o seu lado, levando na bagagem tantas lembranças e um ressentimento infantil. Enfim, estava acabado. Dessas coisas que ninguém entende, desses finais que ninguém aceita. Era o fim... Um dia, após o tempo da separação, eles se encontraram, por acaso. Ela, com os olhos que cintilavam esperança. Ele, por sua vez, não estava mais sozinho. Ela percebeu, após dar-lhe sinais de que ainda o amava, que desejava estar no lugar daquela outra mulher. Criou coragem, derramando a última lágrima, e disse-lhe tudo o que sentia. E partiu, sozinha... Só que, dessa vez, pronta para recomeçar sua vida. Estava livre das algemas do passado. E o amor que ainda restava, ela soube usar, docemente, para amar-se um pouco mais!



*Escrevi este texto após escutar a música Someone like You (Adele).


Mara Melinni




Someone like you by Adele Adkins on Grooveshark

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

UM ANO DE MEL

 

POSTAGEM DE ANIVERSÁRIO


     Parece que foi ontem... Eu estava de férias e, enquanto planejava alguns feitos para o ano que corria, decidi lançar ao espaço um pedaço de mim. Assim, nasceu o MEL´S VERSOS. Aqui, deposito parte de minha história poética, relato meus sentimentos, revelo o que vivo na pele ou o que penetra em minha retina inquieta... 

     Conforme prometido, neste dia 18 de janeiro, reproduzo abaixo um texto extraído do blog de quem mais comentou aqui, até então. Este post é oferecido a tudo o que conquistei de mais valioso: Àqueles que dividem comigo, cada um do seu jeito, as suas ânsias, manias, sonhos, suspiros, enfim... Aos meus amigos reais e virtuais que apoiam este projeto, o meu OBRIGADA! Vocês mantêm as minhas asas prontas para voar sempre!



BALÕES COLORIDOS
Por: Will
Blog do Will: http://blogdowillmoa.blogspot.com
Reprodução autorizada pelo autor





Um dia acordamos e nos damos conta de que viver é tão efêmero. Tudo acontece tão rápido...

É quando constatamos que a chama da vida é uma ampulheta escoando seu fluído de calor e luz para cima, contrariando a gravidade.

A vida é uma estrada de inevitável destino, que reserva a mesma chegada a todos os homens, bons ou maus, não importando o que façam.

Então, talvez o segredo resida na travessia.

Fazer o caminho valer a pena, abandonando os pesos da preocupação, ansiedade, medo e insegurança.

Viver intensamente, nessa perspectiva, é segurar firme o tênue fio que une balões de gás coloridos, aparentemente frágeis, e permitir-se voar no infinito dos sonhos...

Esses balões são das cores que nossos corações souberem pintar.

Balões vermelhos são pintados com amor. Tão sutis, os balões vermelhos... Demandam fôlego e disposição para se tornarem do tamanho ideal, quando estarão prontos para enlevar o que de mais intenso podemos sentir por outro ser humano: filho, mãe, namorado, esposa.

Os lilases são capazes de fluir em nós, através do prazer e dos instintos de desejo, a felicidade que transcende o corpo.

Há os balões verdes que nos convidam a ver que sob as nuvens mais escuras há um sol radiante brilhando e disposto a aquecer nosso inverno interior.

Os brancos não dizem nada, simplesmente calam nossas guerras interiores, formadas de preocupação e ansiedade e nos oferece a paz de alvas nuvens de algodão para repousarmos nossas mentes.

É preciso ter a alma leve para se permitir voar carregado por balões coloridos nas cores do arco iris num límpido céu azul.

Como os poetas, que conseguem sentir a levez dos pássaros e o suave vento no rosto, enquanto transformam com seus versos as cores tristes do coração em paisagens fascinantes.

A essa altura, alguém com fardos muito pesados para essa viagem dirá: só um bobo para ter uma visão tão simplista da vida assim!

Não faz mal que pensem assim... Ainda não se deram conta de que a beleza da vida não precisa das sofisticações das naves espaciais. Não perceberam que mesmo à noite ela cabe na cabeça de infinitos alfinetes que pontilham um céu noturno em forma de estrelas.

Os tais, são capazes de passar a vida inteira na estação da vida esperando o trem que nunca irá chegar, falham em querer sentir a vida ancorados com os pés no chão, não se permitindo voar, nem sentir frio na barriga, tampouco arrepio de montanha russa na nuca.

Tão bom ser bobo e fazer a travessia valer a pena, segurando balões coloridos com uma mão e com a outra a pessoa amada, compartilhando sorrisos, carinhos, ternura, sinceridade, encantamento.

Penso que a viagem já terá valido a pena se eu tiver tido a chance de passar a mão nos cabelos de uma garota bonita, tiver provado fruta madura no pé ou quem sabe um beijo com sabor de balas de limão. Tiver dado a mão a alguém caído através de um sorriso ou palavra amiga. Tiver tido a humildade de reconhecer meus erros e corrigi-los, me tornando mais leve para alçar voos mais altos.


* O meu agradecimento ao Will, pela gentileza de permitir a publicação deste texto tão maravilhoso aqui no Mel´s Versos.
  

 Mara Melinni


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Fala, Caio Fernando Abreu...








Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai agüentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar.


Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Palavra por palavra...

      
     Gosto de me revelar pelas palavras... de depositar nelas os meus pensamentos mais profundos, mais humanos. Sou tudo o que está contido no que escrevo, ao meu modo, meu estilo. E aqui, no meu espaço, reino soberana... Tenho liberdade para dizer o que penso, sem amarras, sem algemas. Porque não há nada pior, para um escritor, do que viver sob a sombra da censura... Especialmente, quando se usa da palavra para atingir bons fins. Para tocar alguém, resgatar o bem.
     
    A minha palavra não visa outra coisa, senão unir, somar, dedilhar sonhos, semear esperança. Nas minhas reticências, procuro lançar ao vento novos pensamentos, ideais, buscando sopros de valores e de conforto para quem lê ou escuta. Assim, sou inteira. Sou verdadeira. Não preciso de disfarces, minha palavra tem a força da coragem e a leveza da serenidade. Não preciso fazer mea-culpa pelo que digo, tampouco temer o fato de que não fui compreendida... É que eu não procuro intervir, procuro somar. Positivamente. Quem me conhece, sabe.

     Então chega de emprestar minhas palavras a quem faz delas um meio de contramão; a quem malfere uma boa intenção, subvertendo as minhas vírgulas e pontos finais, buscando neles o que não foi dito. A palavra, sim, tem poder. Mas o que tenho em mira é somente o que eu disse no início e o que se apresenta em todo o meu universo real e virtual: o BEM. O que faço com tanto gosto é inspirado em um mundo mais humano. E, permitam-se dizer, mais justo. Longe de ser perfeita, pelo contrário... tendo consciência das minhas ações.

     Minha palavra não mora em gaiola, nem sobrevive de favores. Tem existência própria, respira ar puro. Voa... Às vezes, chora... é melancolia. Em outras, ri... e se mostra larga. Chega em versos, sai em prosa. Mas o mais importante de tudo isso: Procura apaziguar, não desunir; é livre e me pertence. E tenho dito.
  
Mara Melinni

    
 "Nenhuma luta haverá jamais de me embrutecer, 
nenhum cotidiano será tão pesado a ponto de me esmagar, 
nenhuma carga me fará baixar a cabeça. 
Quero ser diferente. Eu sou. 
E se não for, me farei."   
Caio Fernando Abreu


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