Inquietude
Não me interessam as pequenas sensações
Nem olhares opacos, nem as noites frias...
Não vejo encantamento em quaisquer emoções
Se já não sinto a vida em luzes e euforias...
Procuro a letra altiva de um poema mudo
E a cor desconhecida em pétala de flor...
Busco o desconhecido, sem arma e escudo,
E a nota mais bonita da canção de amor...
Quero a verdade amiga em tudo o que eu viver,
O sol mais radiante e uma estrela só minha
Para traçar, no espaço, um pouco do meu ser
E me perder no tempo, sem ser tão sozinha.
Preciso de um afago puro e verdadeiro,
Que alcance as curvas tortas do meu coração...
De braços que me queiram muito, por inteiro.
E de um amor que tire os meus pés deste chão...!
Porque se falta um riso no meu rosto sério,
E se não vejo mais a nitidez da estrada,
É tempo de mudar... de quebrar o mistério...
De ver meus próprios passos traçando a jornada.
E na poeira eu sigo, sem lágrima ou medo,
Mantendo o sonho vivo, pois somente assim
Se ao meu redor a vida terminar mais cedo,
Ao menos vivo eterna aqui... dentro de mim...!
Mara Melinni





