Ela era alegre. Tinha um riso sempre à mostra. Paciente, prestativa. E muito, muito apaixonada pelas coisas que amava: por escrever com a liberdade que lhe dava asas; pelos seus amigos poucos, mas sinceros; pela sua família nada perfeita, mas unida; e pelo amor de sua vida. Assim era ela... Uma menina que confiava demais nos outros, que doava seu tempo às mais diversas causas alheias, uma pessoa de coração bom, que se desculpava demais e que tentava ser justa em tudo o que estava ao seu alcance. Conformada, serena, doce. Não media esforços para fazer as coisas darem certo, ainda que isso lhe custasse algum sacrifício pessoal. O tempo foi passando... Passou depressa. E aquela menina que todos enxergavam ingenuamente, sofreu os atropelos da vida. De repente, um dia, ela precisou tomar decisões importantes. Escolheu ficar perto daqueles que amava e, mais uma vez, fez deste contentamento a medida do seu sonho. Abriu mão de ganhar o mundo, de buscar outros rumos. Assim, ela se fez feliz. Arcou com os custos todos de suas escolhas e já se sentia uma mulher...! Mas quão difícil era manter-se firme...! A vida reservou caminhos espinhosos para aquela jovem. Ela precisou despir-se de antigas vestes para moldar-se a novas exigências e assim o fez. Confiou naqueles que lhe juraram amor e guarida, embora soubesse que tudo aquilo parecia arriscado demais... Amizades, sociedade, amores. Foram muitas as decepções, mas ela aprendeu que seus valores não precisavam ser provados a ninguém. E que não precisava agradar, tampouco vir a ser diferente para alimentar este propósito irracional. Ela, enfim, estava madura. Dona de si, percebera quantos anos lhe foram tolhidos por confiar demais naquilo/naqueles que, com a aparência de ser(em) seu motivo de orgulho e felicidade, era(m), na verdade, o disfarce do sabor amargo do engano. Tornou-se ríspida, dependente, até estranha. Sumia de vez em quando... Ela fugia do mundo, como uma criança assustada e sozinha. Ela sentia saudades do passado... Sentia saudades de quem era. Sentia que precisava acertar de novo, apertar os cadarços do tênis e correr para recuperar o tempo perdido, correr para bem longe de tudo o que foi tristeza, limpar os olhos encharcados pelas lágrimas do desgosto, olhar-se e ver, em sua imagem, que aquela antiga forma ainda permanecia igual, apenas à espera da mesma alma pura e doce de antigamente. E assim, ela decidiu partir. Deixava para trás as algemas da ilusão, do medo e da amargura da falsa realidade vivida. E voltava para si mesma, perdoando-se pelas escolhas erradas que fizera um dia. Livre, ela estava bem... Apesar de tudo, ela estava inteira. É o que importa!
Mara Melinni

Nossa, que lindo texto!!! Essência de recomeço sem cicatrizes!!! Amei...Parabéns!
ResponderExcluirBjss flor!!!
Oi, Mara, boa noite!
ResponderExcluirEi, poetisa, que texto lindo! Tão sofrido! Tão... Verdadeiro...
Ah... Bem, menina... O que ela – a moça, menina cheia de ilusões, mulher cheia de marcas – era e o que ela é são tão relativos! A vida que a mudou em ríspida, sumida de vez em quando, amarga às vezes, pode transmudá-la de novo em amante de uma flor recebida, de um sonho ousado e compartilhado, de uma esperança contra a esperança, que nasce rejeitada, mas que cresce e se firma, contra a nossa razão, no coração.
E o que há de fazer isso?! O que há de moldar essa relatividade em um quadro de sonho de novo?! O amor! O amor com que ela sonhou, e que nunca veio de fato, mas o “nunca” pode ser um mero “ainda não”. É esse amor, razão da continuidade dos sonhos, razão de sua realização, quem relativiza tudo na vida da moça. Se ele chegar, ah, se ele chegar, de fato e de direito,
lá com sua aparência de fortuito, mas inteiro e poderoso, então, haja vida para vivê-lo!
Um beijo carinhoso
Doces sonhos, menina.
seu fã incondicional
Lello
Seu texto já falou tudo e uma letra a mais aqui é desnecessária.
ResponderExcluirSuas palavras são cheias de sentimento e posso notar que, apesar da dificuldade de ler em outro idioma ... venha a mim com força total. Um abraço
ResponderExcluirAdorei seu blog...
ResponderExcluirGostaria muito de receber sua visita no meu blog tbm...
Se seguir, sigo de volta!
http://www.vangonzaaga.blogspot.com.br/
Bjo
Chorei. Me identifico.
ResponderExcluirUm beijo.