domingo, 23 de junho de 2019

À espera




Daqui do meu mundo, é bonito de se ver. Tem saudade, mas tem terra firme. Tem solidão, mas tem noite de estrela. Tem distância, mas tem acolhida de cama quentinha. 

A gente vive de incompletudes... E, nessas faltas, às vezes umas doem mais do que outras. E é assim com as tais expectativas

Transbordei nas minhas. Sonhei com muitas! Botei um letreiro luminoso em cada uma, de tão grandes que eram... 

Algumas - as que dependem só de mim - continuam existindo, talvez pela fluorescência de minha alma. 

Das demais, boa parte perdeu-se no caminho. Por descaso ou desatenção de quem deveria ter regado melhor a amizade, o amor, o sentimento. [...]


Mara Melinni




segunda-feira, 18 de março de 2019

Revolução...




Vivemos esperando que as coisas mudem. O mundo, os amores, o trabalho. Parece que ainda não está bom, que falta uma dose de realização, uma alegria perene, um detalhe qualquer. E nisso, a ideia é (quase) sempre esperar que amanhã seja diferente, que "o que tiver de ser, será", como se o que faltasse fosse "chegar o dia", mas o que falta é bem mais simples, embora não pareça.

Aí, lá se vai o tempo... Vão-se os planos, aqueles que nos acompanham a vida inteira na pauta da nossa incompletude! Fazem morada fixa, ganham mobília, tornam-se resistência. E a gente vai levando, com até muito otimismo, eu diria.

Só que é justamente neste ponto que perdemos terreno. Sabe qual? O da nossa autoconfiança e da coragem de por em prática. Então somos, literalmente, engolidos pela frustração, pelo medo de prosseguir, como se o caminho não valesse a pena. 

Mas, vale...!

E é no meio dele, entre vivências boas e ruins, que a gente cai, chora, sofre... E também levanta, sorri e se preenche... Porque a vida é todo dia. E ela acorda primeiro onde tudo acontece: Dentro da gente. É daqui que se faz a maior revolução.


Mara Melinni




domingo, 17 de fevereiro de 2019

Um fim de tarde e um café





Quase sempre é assim: A casa fica cheia, as conversas são fluentes, o cheiro de café toma conta de tudo. Ao final do dia, chego do trabalho, mas guardo o cansaço para mais tarde. Aproveito esse pedaço de hora com minha família - meus pais, irmãs, cunhados e sobrinha.

É bom ter todo mundo junto, preparar uma tapioca, trocar ideias, falar dos nossos dias, saber que, mesmo diante de muitas diferenças, nós temos com quem contar. É assim que cada dia se renova e que cada rusga se encerra.

No fundo, o café da tarde preparado pela minha mãe não é somente uma refeição. É quando ali, entre um pão com manteiga e um café com leite, um abraço e um até breve, somos o espelho de nossa própria completude.


Mara Melinni

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

De volta pra mim...





É bom estar de volta! Bom dedilhar o teclado e, pouco a pouco, recomeçar a deixar alguns rastros de alma por aqui. Fazia tempo que eu não me permitia assim, que não me deixava ser lida. Tem um monte de palavras querendo tomar a vez, mas tem, também, um bocado de sentimento querendo regar as palavras. 

Enquanto o mundo, lá fora, continua mesquinho e veloz, eu me desacelero... Para sentir a vida em cada pulsar de segundo, na velocidade em que ela merece ser vivida. Escrever me preenche porque mostra o melhor de mim. Nesse lugar, tudo o que não merece abrigo, fica de fora. Somente entram abraços amigos, sorrisos vastos, ventos de paz.

Que eu esteja sempre assim - imersa no que me faz forte, ciente do que me faz bem, certa de quem vou deixar entrar.

Mara Melinni



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